terça-feira, 1 de abril de 2008

Qual é o limite ético na atividade jornalística?

O jornalismo vive uma crise na qual o interesse particular tem suplantado o interesse público, comprometendo, assim, o sentido social da profissão.
De acordo com José Fancisco Karam, no livro “A Ética Jornalística e o Interesse Público”, é necessário que se tenham parâmetros éticos para exercer a profissão, Jornalista.
É de extrema importância que haja um vínculo entre ética profissional e o interesse público. Devido o surgimento de novas e crescentes sociedades de mídia, que resultaram em poderosos conglomerados, este vínculo pode estar seriamente comprometido, pois com a concentração da mídia nas mãos de poucos, há uma grande possibilidade de se perder a credibilidade.
Hoje, através da tecnologia e do ciberespaço, basta que se tenha um simples blog na internet para se tornar um produtor direto de conteúdos. E essa facilidade faz com que alguns setoristas de jornais recorram a esse tipo de fonte para facilitar o trabalho na redação. Assim, o contraditório tem a oportunidade de surgir com muito mais velocidade e visibilidade, pois se está na internet, por princípio já é de domínio público.
A questão da ética deve ser prioridade em qualquer profissão, principalmente a do jornalista que tem o poder de causar ruínas, como aconteceu com a Escola Base em São Paulo, onde o dono da instituição foi acusado de pedofilia, teve seu nome publicado em jornais, mas acabou inocentado, pois ficou comprovado que tudo não passou de manipulação de informação. É como diz Felipe Pena, no Jornalismo não há fibrose, pois as feridas abertas pela difamação jamais cicatrizam.
Não há gradação quando o assunto é falta de ética. Infelizmente essa falta de ética tem feito com que as pessoas deixem de acreditar na imprensa. Uma pesquisa do Comitê dos Jornalistas Preocupados (Criado nos estados Unidos, pelos Jornalistas Bill Kovach e Tom Rosenstiel), realizada em 1999 revelou que apenas 21% dos americanos acreditavam que a imprensa estava realmente preocupada com as pessoas. Em 1985, esse índice era de 41%. No Brasil ainda não foi feito um estudo sério sobre o tema.
Esse índice é alarmante, pois o público não pode ser tratado como um consumidor inserido na lógica comercial, pois a ética jornalística não se deve reduzir à normatização escrita, e sim fazer parte do processo interior do profissional, que deve se refletir no trabalho cotidiano e se relacionar à totalidade social.
Uma boa definição de ética no jornalismo está no livro: A regra do jogo de Cláudio Abramo: “Sou jornalista, mas gosto mesmo é de marcenaria. Gosto de fazer móveis, e minha ética como marceneiro é igual à minha ética como jornalista – não tenho duas. Não existe uma ética específica do jornalista: sua ética é a mesma do cidadão.” Para ele os valores inerentes à ética só fazem sentido se estiverem inscritos no conjunto da sociedade, como um sistema interligado.
É indiscutível que deva existir uma conduta moral do cidadão, seja qual for sua atividade, pois todo profissional está sujeito a escolhas e dilemas, e com o jornalista não é diferente. Mas o que o jornalista não pode esquecer é que o interesse público deve vir sempre em primeiro lugar, já que a informação é um direito fundamental da sociedade.

2 comentários:

marise rita disse...

Abordar um tema com este é fundamental. É um tema atual, e sobre o qual nos deparamos à todo instante. Gostei do artigo. Forte Abraço!

AcesseLuciano disse...

Giselle, as vezes o bolso vem antes da ética, a necessidade de lutar por espaço no mercado do trabalho, muitos profissionais passam por cima de amizade, em nome do interesse próprio. E no Jornalismo não é diferente das outras profissões, como é comparado como o 4º poder(acredite se quiser). Tem o joio(maus profissionais) que crescem junto ao trigo(profissionais éticos), cabe ao ceifeiro(chefe) poda-lo, arranca-los do meio(redação, jornal, Tv, etc..), Procure alçar voôs mais altas em sua carreira, não seja joio, sim o trigo. Para que não se arrepende mais tarde. Um amigo, um network dentro de sua vida profissional nunca é demais.

Luciano Viviani - 7º Jornalismo